| More

Ordering time, nationalising the past: temporality, historiography and Brazil’s "formation"

Maria da Glória de Oliveira (http://orcid.org/0000-0002-0071-7146), Rebeca Gontijo (http://orcid.org/0000-0002-6037-8625), Fábio Franzini (http://orcid.org/0000-0002-7946-972X)
Maria da Glória de Oliveira, Rebeca Gontijo, Fábio Franzini

Abstract


This article presents an overview of historiography in Brazil from the 1840s to the 1950s and delimits the impasses, tensions and disputes in relation to two concomitant processes: the nationalisation of the past and the institutionalisation of historical research in the country. Our central reasoning is that, over the course of this period, the writing of history demanded multifaceted narrative and interpretative reconfigurations regarding the colonial past in order to portray the nation with its multiple temporalities and contrasts. These were perceived as structural traits of the present and explicative causes of Brazil’s alleged “backwardness” vis-à-vis the ideals of civilisation, contributing to a continuous postponement of future expectations regarding the full attainment of modernity. Not by chance, in the early decades of the twentieth century, the use of the formation concept emerged as a fundamental notion in the analysis and understanding of Brazilian history. Not only did it come as a kind of “response” to the problem of nationality but it also suggested that its construction was unfinished and uncertain in character.

Keywords


Brazilian Historiography, 1870-1950; time experience; Bildung; History of Historiography

Full Text:

HTML

References


Abreu, João Capistrano de. “Necrológio de Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto Seguro.” In Ensaios e Estudos: crítica e história, 1st ser., 81–91. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1975.

Abreu, João Capistrano de. Correspondência de Capistrano de Abreu, vol. 1, edited and introduction by J. H. Rodrigues. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Brasília: INL, 1977.

Alonso, Angela. Ideias em movimento. A geração 1870 na crise do Brasil-Império. São Paulo: Paz e Terra, 2002.

Arantes, Paulo Eduardo. “Providências de um crítico literário na periferia do capitalismo.” In Sentido da formação: Três estudos sobre Antonio Candido, Gilda de Mello e Souza e Lúcio Costa, edited by Paulo Eduardo Arantes and Otília Beatriz Fiori Arantes, 9–66. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

Araújo, Ricardo Benzaquen de. Guerra e paz: Casa Grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. São Paulo: Ed. 34, 2010.

Athayde, Tristão de. “Política e letras.” In À margem da história da república (ideaes, crenças e affirmações). Inquerito por escriptores da geração nascida com a república, edited by Vicente Licínio Cardoso. Rio de Janeiro: Laemmert, 1924.

Baptista, Abel Barros. O livro agreste. Campinas: Ed. Unicamp, 2005.

Berman, Antoine. “Bildung et bildungsroman.” Le temps de la reflexion 4 (1984): 141–59.

Bôas, Glaucia Villas. “Casa grande e terra grande, sertões e senzala: duas interpretações do Brasil.” Iberoamericana 4/13 (2004): 23–37.

Bôas, Glaucia Villas. Mudança provocada: passado e futuro no pensamento sociológico brasileiro. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2006.

Caldas, Pedro. “O que restou da Bildung: uma análise da Ciência como Vocação, de Max Weber.” Revista da SBHC 4/2 (2006): 116–29.

Carvalho, Maria Alice Rezende de. “Temas sobre a organização dos intelectuais no Brasil.” Revista Brasileira de Ciências Sociais 22/65 (2007): 17–31.

Cezar, Temístocles. “Como deveria ser escrita a história do Brasil no século XIX. Ensaio de história intellectual.” in História cultural: Experiências de pesquisa, edited by Sandra J. Pesavento, 173–208. Porto Alegre: UFRGS Editora, 2003.

Cezar, Temístocles. “L’écriture de l’histoire au Brésil au XIXe siècle. Essai sur une rhétorique de la nationalité. Le cas Varnhagen.” PhD diss., EHESS, 2002.

Cunha, Euclides da. Backlands: The Canudos Campaign, translated by Elizabeth Lowe. New York: Penguin, 2010.

Cunha, Euclides da. Os sertões, edited by Alfredo Bosi, 2nd ed. São Paulo: Editora Cultrix; Brasília: INL, 1975.

Fabian, Johannes. O Tempo e o Outro: como a Antropologia estabelece seu objeto. Petropolis: Vozes, 2013.

Falcon, Francisco. “Historiografia e ensino de história em tempos de crise – 1959/1960 – 1968/1969.” In Tempo negro, temperatura sufocante: Estado e sociedade no Brasil do AI-5, edited by Oswaldo Munteal Filho, Adriano Freixo and Jacqueline Ventapane Freitas, 37–61. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio/Contraponto, 2008.

Faoro, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. Edição revista, acrescida de índice remissivo, 3rd ed. São Paulo: Globo, 2001. First published 1958.

Fernandes, Florestan. Mudanças sociais no Brasil. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1974.

Ferreira, Jorge, and Lucilia de Almeida Neves Delgado. O Brasil republican, 4 vols. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

Freyre, Gilberto. Casa Grande & Senzala, 29th ed. Rio de Janeiro: Editora Record, 1994.

Freyre, Gilberto. The Masters and the Slaves: A study in the development of Brazilian Civilization, translated by Samuel Putnam. New York: Alfred A. Knopf, 1946.

Guimarães, Lúcia Maria Paschoal. “Debaixo da imediata proteção de Sua Majestade Imperial: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1838–1889.” Revista do IHGB 156/388 (1995): 459–613.

Guimarães, Manoel Luiz Salgado. “História e natureza em von Martius: esquadrinhando o Brasil para construir a nação.” História, Ciências, Saúde-Manguinhos 7/2 (2000): 391–413.

Guimarães, Manoel Luiz Salgado. “Nação e Civilização nos Trópicos: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Projeto de uma História Nacional.” Estudos Históricos 1/1 (1988): 5–27.

Guimarães, Manoel Luiz Salgado. Historiografia e nação no Brasil (1838–1857). Rio de Janeiro: EdUERJ, 2011.

Hartog, François. Anciens, modernes, sauvages. Paris: Galaade, 2005.

Hartog, François. Évidence de l’histoire: ce que voient les historiens. Paris: Editions EHESS, 2005.

Helgesson, Stefan. “Radicalizing temporal difference: anthropology, postcolonial theory, and literary time.” History and Theory 53/4 (2014): 545–62.

Iglésias, Francisco. “A pesquisa histórica no Brasil.” Revista de História 88/4 (1971): 373–415.

Jasmin, Marcelo. “A viagem redonda de Raymundo Faoro em Os donos do poder.” In Nenhum Brasil existe: pequena enciclopédia, edited by João Cezar de Castro Rocha, 357–65. Rio de Janeiro: Topbooks; UniverCidade; UERJ, 2003.

Konder, Leandro. “História dos intelectuais nos anos 1950.” In Historiografia brasileira em perspectiva, edited by Marcos Cezar de Freitas, 355–374. São Paulo: Contexto, 1998.

Koselleck, Reinhart. Historia, Historia. Madrid: Trotta, 2004.

Lapa, José Roberto do Amaral. A história em questão: historiografia brasileira contemporânea. Rio de Janeiro: Vozes, 1976.

Lima, Luis Costa. Terra ignota: a construção de Os Sertões. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.

Luca, Tania Regina de. A Revista do Brasil: um diagnóstico para a (n)ação. São Paulo: UNESP, 2000.

Machado de Assis, Joaquim Maria. Obra complete, vol. 3. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1997.

Martius, Carl Friedrich von. “Como se deve escrever a história do Brasil.” Revista do IHGB 6 (1844): 389–411.

Mata, Sérgio da. “Weberianismo tropical: caminhos e fronteiras da recepção de Max Weber no Brasil.” In A fascinação weberiana: As origens da obra de Max Weber, 77–108. Belo Horizonte: Fino Traço, 2013.

Mattos, Ilmar Rohloff de. O tempo saquarema. A formação do estado imperial, 5th ed. São Paulo: Editora Hucitec, 2004.

Moraes, João Quartim de, Daniel Aarão Reis Filho and Marcelo Ridenti, eds. História do marxismo no Brasil, 6 vols. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.

Mota, Carlos Guilherme. “Intérpretes do Brasil: Antônio Cândido e Raymundo Faoro.” In Intérpretes do Brasil: cultura e identidade, edited by Gunther Axt and Fernando Schüler, 268. Porto Alegre: Artes & Ofícios, 2004.

Nicodemo, Thiago Lima. “Sergio Buarque de Holanda.” In Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes e renegados, edited by Luiz Bernardo Pericás and Lincoln de Abreu Secco, 141–42. São Paulo: Boitempo, 2014.

Nicolazzi, Fernando. Um estilo de História: a viagem, a memória, o ensaio. Sobre Casa Grande & Senzala e a representação do passado. São Paulo: Editora Unesp, 2011.

Novais, Fernando. “Entrevista.” In Caio Prado Júnior, Formação do Brasil contemporâneo, 413–414. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Paltí, Elías. La nación como problema: los historiadores y la “cuestión nacional”. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2002.

Pericás, Luiz Bernardo, and Maria Célia Wider. “Caio Prado Júnior.” In Intérpretes do Brasil: clássicos, rebeldes e renegados, edited by Luiz Bernardo Pericás and Lincoln Secco, 195–96. São Paulo: Boitempo, 2014.

Prado, Caio Júnior. Evolução política do Brasil. São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1933.

Prado, Caio Júnior. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011).

Prado, Paulo. Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, 9th ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. First published 1928.

Ringer, Fritz K. O declínio dos mandarins alemães: a comunidade acadêmica alemã, 1880–1933. São Paulo: Edusp, 2000.

Rodrigues, Henrique Estrada. “A ideia de formação na historiografia brasileira.” In Teoria e historiografia: debates contemporâneos, edited by Bruno Franco Medeiros, et al. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.

Sevcenko, Nicolau. Literatura como missão. Tensões sociais e criação cultural na Primeira República. São Paulo: Editora Brasiliense, 1999.

Souza, Jessé. “A ética protestante e a ideologia do atraso brasileiro,” Revista Brasileira de Ciências Sociais 13/38 (1998).

Sztompka, Piotr. A sociologia da mudança social. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

Torres, Alberto. O problema nacional brasileiro: introdução a um programa de organização nacional, 3rd ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1938.

Turin, Rodrigo. Tessituras do tempo: discurso etnográfico e historicidade no Brasil oitocentista. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2013.

Vecchi, Roberto. “Atlas intersticial do tempo do fim: ‘Nossa Revolução’.” In Um historiador nas fronteiras: o Brasil de Sérgio Buarque de Holanda, edited by Sandra Jatahy Pesavento, 161–93. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2005.

Vianna, Luiz Werneck. “Weber e a interpretação do Brasil.” In O malandro e o protestante: a tese weberiana e a singularidade cultural brasileira, edited by Jessé Souza, 173–94. Brasília: Ed. UnB, 1999.

Woolf, Daniel. “Of nations, nationalism and national identity: reflections on historiographic organization of the past.” In The many faces of Clio: cultural approaches to historiography. Essays in honor of G.G. Iggers, edited by Q. Edward Wang and Franz L. Fillafer, 71–103. Oxford: Berghahn, 2007.

Zilly, Berthold. “Minha formação (1898), de Joaquim Nabuco – a estilização do brasileiro ideal.” In Pelas margens: outros caminhos da história e da literature, edited by Edgar Salvadori de Decca and Ria Lemaire, 253–64. Campinas: Ed. Unicamp; Porto Alegre: Ed. UFRGS, 2000.


Refbacks

  • There are currently no refbacks.


Copyright (c) 2018 Maria da Glória de Oliveira, Rebeca Gontijo, Fábio Franzini

Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike 4.0 International License.